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O DF que a gente quer

Seção 3.4

Saúde

15 min Páginas 91–104 do livro

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Seção 3.4 Saúde. Eixo Estratégico 3.4.1 — Apresentação e Contexto.

O Distrito Federal tem a maior expectativa de vida do país no Panorama do DF 2026 — 79,89 anos — e a terceira menor mortalidade infantil entre as unidades da Federação — 10,42 óbitos por mil nascidos vivos em 2024. Contudo, esses indicadores agregados ocultam profundas disparidades territoriais: em regiões administrativas de maior vulnerabilidade, o tempo médio de espera por consultas especializadas supera 12 meses, chegando a 18 meses em alguns locais.

Objetivo estratégico do CODESE-DF: reduzir em pelo menos 30 por cento o tempo médio de espera por consultas especializadas e exames nas regiões administrativas com maior vulnerabilidade até 2040.

Diagnóstico geral: expectativa de vida do DF em 2024 é 79,89 anos (4ª entre UFs: atrás de Santa Catarina, Espírito Santo e São Paulo). Mortalidade infantil do DF em 2024 é 10,42 por mil nascidos vivos (3ª menor entre UFs). Apesar desses resultados, o tempo de espera por consultas especializadas é crítico nas áreas mais vulneráveis.

Disparidades territoriais na mortalidade infantil em 2024: média do DF 10,42 por mil nascidos vivos. Núcleo Bandeirante 21,01. Estrutural (SCIA) 20,20. Riacho Fundo 15,46. Lago Norte 15,20. Jardim Botânico 15,05. Sol Nascente/Pôr do Sol 14,40. Paranoá 13,46. Ceilândia 12,78. Candangolândia 12,12. São Sebastião 11,49. Brazlândia 10,70. Plano Piloto 10,05. Santa Maria 9,83. Taguatinga 9,49. Samambaia 9,05. Gama 9,04. Recanto das Emas 9,04. Riacho Fundo II 8,47. Arniqueira 8,44. Guará 8,21. Sobradinho 7,67. Itapoã 7,49. Vicente Pires 7,09. Varjão 6,94. Fercal 6,80.

Observação: a Estrutural/SCIA apresenta taxa de mortalidade infantil 2,01 vezes superior à do Plano Piloto, indicando acesso tardio ao diagnóstico e ao tratamento em regiões periféricas.

Comparativo regional: o DF supera capitais vizinhas em expectativa de vida — por exemplo, Goiânia 75,45 anos e Belo Horizonte 79,01 anos — mantendo posição elevada entre as UFs. Em mortalidade infantil por capitais, o DF (10,42) é inferior a algumas capitais como Goiânia e Belo Horizonte, mas os indicadores agregados contrastam com desigualdades no acesso à saúde nas regiões administrativas mais vulneráveis, onde o tempo médio de espera por consultas especializadas ultrapassa 12 meses.

Taxa de mortalidade infantil por capital: Fortaleza 11,8 óbitos por mil nascidos vivos. Belo Horizonte 11,5. São Paulo 11,4. Natal 11,3. Vitória 10,8. Brasília 10,6. Porto Alegre 10,5. Curitiba 10,4. Florianópolis 9,9. Goiânia e Belo Horizonte destacadas para comparação regional. Fonte: Ministério da Saúde — Indicador MRT.1.01, 2022. Nota: taxas por unidade federativa usadas como proxy para capitais.

Dimensão Metropolitana — RIDE-DF: a RIDE aumenta a pressão sobre o Hospital da Área Norte e o sistema de saúde do Distrito Federal. Municípios do entorno, como Águas Lindas de Goiás e Luziânia, sem hospitais de referência próprios, encaminham pacientes de alta complexidade para o DF. Protocolos de regulação interfederativa são urgentes para garantir atendimento prioritário a residentes do DF sem prejuízo aos não residentes.

Crescimento demográfico na RIDE-DF (2010–2022): variações regionais de crescimento populacional que pressionam serviços de saúde no entorno. Fonte: IBGE, Censo Demográfico 2022.

Conexão com a Agenda 2030: a Câmara Técnica de Saúde alinha metas e ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. ODS 3 — ampliar rede de atenção primária, modernizar hospitais e foco em prevenção para garantir saúde e bem-estar para todos. ODS 6 — vigilância em saúde ambiental e saneamento básico para prevenir doenças. ODS 10 — equalizar oferta de serviços de saúde entre Regiões Administrativas para reduzir desigualdades de acesso.

Metas e ações estratégicas para o Plano Estratégico "O DF Que a Gente Quer 2040", sob a perspectiva "Resultados para a sociedade":

Objetivo: gerar emprego, renda e oportunidades em todas as regiões administrativas e área rural, ampliando cobertura assistencial e equidade no acesso. Meta e ações estruturantes: reduzir em pelo menos 30 por cento o tempo médio de espera por consultas especializadas e exames; implantar modelo de planejamento territorial da saúde por região administrativa baseado em dados georreferenciados para identificar vazios assistenciais e prioridades de investimento; promover integração entre rede pública e privada via credenciamento e contratos com metas; ampliar oferta de serviços nas regiões prioritárias e reforçar equipes multidisciplinares de saúde da família.

Objetivo: fortalecer a atenção primária como coordenadora do cuidado. Meta e ações estruturantes: ampliar cobertura da atenção primária para no mínimo 80 por cento da população do Distrito Federal; aumentar em 40 por cento as ações de prevenção e rastreamento. Ações de curto prazo: implantar protocolos de cuidado nas unidades básicas; ampliar campanhas de prevenção; reorganizar atenção primária por território com definição clara de linhas de cuidado e população adscrita.

Promover atenção primária integrada e contínua para reduzir internações por condições sensíveis à atenção e diminuir deslocamentos desnecessários. Meta: reduzir 20 por cento das internações por condições sensíveis à atenção primária. Ações: estruturar programas permanentes de prevenção e promoção da saúde; integrar a atenção primária com os demais níveis assistenciais, garantindo continuidade do cuidado e acompanhamento do paciente; revisar fluxos de encaminhamento; fortalecer centrais de regulação e regionalização da rede; criar convênio entre GDF/SES e empresas de ônibus para reduzir deslocamentos.

Ampliar a oferta e a qualificação de profissionais de saúde em regiões críticas. Metas e ações: aumentar o número de profissionais; reduzir a escassez de mão de obra; abrir concursos públicos para áreas deficitárias; implementar programas estruturados de formação técnica e especializada; desenvolver políticas de atração, capacitação e fixação; implementar incentivos para alocação em áreas prioritárias; fortalecer parcerias com instituições de ensino; iniciar programas emergenciais de alocação.

Consolidar o Distrito Federal como metrópole inteligente, inovadora e sustentável usando dados e tecnologia. Ações: implantar prontuário eletrônico integrado entre níveis de atenção; promover digitalização para reduzir exames duplicados e retrabalho; implantar gestão orientada por dados e monitoramento contínuo de indicadores; iniciar integração dos sistemas existentes e projetos piloto regionais; implantar plataforma digital de participação social e escuta ativa; publicar painel de indicadores estratégicos da SES e realizar audiências públicas regionais; criar Observatório da Saúde do DF e Comitê Permanente de Governança e Transparência.

Expandir e otimizar a rede assistencial com uso eficiente da capacidade instalada. Ações: planejar expansão da rede com base em critérios territoriais; revisar contratos e modelos de utilização da rede, inclusive privada; direcionar investimentos conforme necessidade territorial; modernizar e ampliar infraestrutura física e tecnológica; elaborar Plano Diretor da Saúde; priorizar reformas e novas unidades; incorporar tecnologias de alta complexidade.

Melhorar a gestão de pessoas e condições de trabalho para reduzir rotatividade e absenteísmo. Ações: implementar política permanente de formação e educação continuada; programas de saúde ocupacional e qualidade de vida; políticas de atração, retenção e valorização; fortalecer parcerias com ensino.

Gestão de resíduos, sustentabilidade e regulação da parceria público‑privada. Ações: implantar Política Distrital de Gestão Sustentável dos Resíduos dos Serviços de Saúde; adequar o sistema à legislação ambiental; desenvolver soluções ambientalmente sustentáveis; integrar a capacidade privada ao planejamento regional; implantar mecanismos de remuneração por desempenho e ampliar PPPs.

Perspectiva processos e tecnologia: implantar inteligência de dados e inteligência artificial para escuta ativa, interoperabilidade e governança colaborativa entre governo, setor produtivo, academia e sociedade civil; instituir pesquisas permanentes de satisfação dos usuários; implantar sistema único de informações e interoperabilidade entre unidades; publicar painel de indicadores e portal de transparência; realizar consultas eletrônicas sobre prioridades.

A Câmara Técnica de Saúde reconhece que muitos objetivos dependem de atuação articulada com outras Câmaras Técnicas previstas no Plano Estratégico "O DF Que a Gente Quer 2026–2040". As interfaces decorrem das evidências do Painel de Bordo. A seguir, a tabela com as principais finalidades da articulação e agendas compartilhadas.

Câmara Técnica: Saúde escolar. Finalidade da articulação: Integrar políticas de promoção da saúde, prevenção de doenças, saúde mental e desenvolvimento de hábitos saudáveis no ambiente educacional. Principais agendas compartilhadas: Saúde escolar; promoção da saúde; prevenção; saúde mental; educação em saúde.

Câmara Técnica: Felicidade. Finalidade da articulação: Fortalecer estratégias voltadas ao bem-estar, à qualidade de vida e à promoção da saúde mental da população. Principais agendas compartilhadas: Bem-estar; saúde mental; qualidade de vida; ambientes saudáveis; desenvolvimento humano.

Câmara Técnica: Cidadania. Finalidade da articulação: Promover a ampliação do acesso aos serviços públicos de saúde e fortalecer políticas de inclusão e equidade. Principais agendas compartilhadas: Inclusão social; equidade; acesso aos serviços públicos; atendimento humanizado.

Câmara Técnica: Atividade física; Esporte. Finalidade da articulação: Integrar programas de atividade física como instrumento permanente de promoção da saúde e prevenção de doenças. Principais agendas compartilhadas: Atividade física; envelhecimento saudável; prevenção; qualidade de vida; hábitos saudáveis.

Câmara Técnica: Segurança. Finalidade da articulação: Fortalecer ações integradas relacionadas à prevenção da violência, proteção da população e saúde mental. Principais agendas compartilhadas: Segurança pública; prevenção; saúde mental; atendimento integrado; proteção social.

Câmara Técnica: Cultura e Economia Criativa. Finalidade da articulação: Utilizar iniciativas culturais como instrumentos complementares de promoção da saúde, integração comunitária e bem-estar. Principais agendas compartilhadas: Cultura; bem-estar; inclusão; saúde mental; participação social.

Câmara Técnica: Habitação e Urbanismo. Finalidade da articulação: Integrar políticas urbanas voltadas à construção de ambientes saudáveis e melhoria dos determinantes sociais da saúde. Principais agendas compartilhadas: Ambientes saudáveis; urbanização; saneamento; qualidade de vida; planejamento territorial.

Câmara Técnica: Sustentabilidade. Finalidade da articulação: Incorporar ações ambientais que contribuam para a promoção da saúde coletiva e da qualidade de vida. Principais agendas compartilhadas: Saúde ambiental; qualidade ambiental; recursos naturais; sustentabilidade; resiliência.

Câmara Técnica: Tecnologia. Finalidade da articulação: Fortalecer a transformação digital aplicada à gestão da saúde e à ampliação do acesso aos serviços públicos. Principais agendas compartilhadas: Saúde digital; transformação digital; informação em saúde; conectividade; gestão pública.

Câmara Técnica: Inovação. Finalidade da articulação: Promover a incorporação de soluções inovadoras voltadas à melhoria da assistência e da gestão dos serviços de saúde. Principais agendas compartilhadas: Inovação em saúde; pesquisa; novos modelos de cuidado; inovação organizacional.

Delimitação das alianças para implementação: As alianças estratégicas são predominantemente intersetoriais, porque a promoção da saúde depende da integração de políticas que atuam sobre determinantes sociais, econômicos, ambientais e culturais. A Câmara Técnica de Saúde coordena políticas de promoção da saúde, prevenção de doenças e saúde mental, garantindo organização das redes assistenciais e fortalecimento da atenção primária. Outras Câmaras contribuem com competências temáticas específicas para implementação integrada, complementar e sem sobreposição de atribuições, aumentando a efetividade das políticas públicas de saúde e sua contribuição ao desenvolvimento humano sustentável do Distrito Federal.

Índice completo

Abertura Carta do Presidente

Carta do Presidente

Parte I Contexto e Direcionamento Estratégico

1. Contexto e Direcionamento Estratégico

Parte II Estratégia para o plano

2. Estratégia para o plano “O DF que a gente quer em 2040”

Parte III Cidadania, economia, RIDE, cultura, urbano e tecnologia

3. Cidadania e Desenvolvimento Social

4. Desenvolvimento Econômico

5. Eixo Brasília-Goiânia e RIDE

6. Economia Criativa, Esporte, Turismo e Cultura

7. Desenvolvimento Urbano

8. Tecnologia e Inovação

Parte IV Hackatown das Regiões Administrativas

9. Hackatown das Regiões Administrativas

Parte V Legitimação Popular das Propostas

10. Legitimação Popular das Propostas