Seção 9
Hackatown das Regiões Administrativas
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Texto desta faixa (roteiro locutado)
Seção 9 — Hackatown das Regiões Administrativas. Apresento o Catálogo de Projetos das Regiões Administrativas do Distrito Federal, resultado da escuta qualificada em evento do CODESE-DF que reuniu 173 representantes de 30 das 35 Regiões Administrativas, em 30 de maio de 2026. São setenta e seis propostas, com diagnósticos, justificativas e visões de futuro, definidas por discussão territorial e comparação entre percepção popular e indicadores oficiais.
Os projetos foram organizados nos seis eixos estratégicos do CODESE-DF: Desenvolvimento Urbano; Cidadania e Desenvolvimento Social; Economia Criativa, Esporte, Turismo e Cultura; Tecnologia e Inovação; Desenvolvimento Econômico; e Integração Territorial e Regional — Brasília × Goiânia e RIDE.
Área: eixo. Indicador: número de projetos. Meta: descrição. Área: Desenvolvimento Urbano. Indicador: 29 projetos, números 01 a 29. Meta: priorizar regularização fundiária, infraestrutura urbana e mobilidade; demandas recorrentes em sete Regiões Administrativas; ações de pavimentação, drenagem, preservação ambiental, gestão de resíduos sólidos e planejamento local baseado em evidências. Área: Cidadania e Desenvolvimento Social. Indicador: 18 projetos, números 30 a 47. Meta: fortalecer atenção primária à saúde, ampliar equipes de Saúde da Família; iniciativas de proteção social, saúde mental, cultura de paz, participação cidadã e promoção da equidade. Área: Economia Criativa, Esporte, Turismo e Cultura. Indicador: 11 projetos, números 48 a 58. Meta: descentralizar oportunidades culturais e esportivas; criar distritos criativos; implantar e recuperar equipamentos públicos; usar cultura e esporte para inclusão social, formação cidadã e identidade territorial. Área: Tecnologia e Inovação. Indicador: 8 projetos, números 59 a 66. Meta: aplicar soluções tecnológicas para serviços públicos — plataformas digitais, gestão inteligente da saúde, monitoramento territorial, tecnologias sociais para sustentabilidade e assistência técnica urbana; propostas concentram-se em regiões com maiores desafios socioeconômicos. Área: Desenvolvimento Econômico. Indicador: 8 projetos, números 67 a 74. Meta: geração de emprego e renda via áreas produtivas, qualificação profissional, fortalecimento das economias locais, estímulo à economia circular e planejamento das vocações econômicas territoriais. Área: Brasília × Goiânia e RIDE. Indicador: 2 projetos, números 75 e 76. Meta: articular DF com região metropolitana; propor novos modelos de organização territorial e soluções de mobilidade metropolitana de longo prazo.
A distribuição por renda per capita mostra variações na natureza das demandas: nas Regiões de menor renda predomina a reivindicação por oferta de serviços e infraestruturas básicas — unidades de saúde não construídas, pavimentação ausente, regularização fundiária incompleta — concentrando 45 por cento dos projetos e focando acesso a serviços essenciais. Nas regiões de renda média, responsáveis por 37 por cento dos projetos, as demandas são por qualificação dos serviços existentes, melhoria dos serviços públicos, fortalecimento da participação social, cultura de paz e qualificação de espaços comunitários. Nas regiões de renda alta, com 18 por cento dos projetos, as reivindicações priorizam planejamento e governança, com ênfase em mobilidade, preservação e políticas distritais, buscando eficiência e sustentabilidade.
Há convergências transversais: a ampliação da atenção primária à saúde aparece em projetos de regiões com rendas distintas — exemplos citados no catálogo incluem Fercal, SIA, Arniqueira, Guará e Park Way — indicando que algumas demandas são estruturais e exigem soluções de alcance sistêmico.
Parte dos projetos formulados nas Regiões Administrativas ultrapassa limites territoriais, tratando de temas metropolitanos e regionais, como mobilidade e acesso à moradia, e revela interdependência entre territórios do Distrito Federal e da RIDE. Da análise das propostas surgem cinco recomendações para orientar os próximos governos.
Recomendação 1: Atenção imediata às propostas já amadurecidas. Vários projetos identificados (números 2, 8, 22, 27, 30, 32, 36, 42, 49, 60, 67, 68, 70) têm condições de avançar para implementação sem novos ciclos longos de formulação.
Recomendação 2: Reconhecer e fortalecer a inovação produzida nos territórios, especialmente nas regiões periféricas. Cinco de oito projetos de tecnologia e inovação vêm de RAs de baixa renda (números 67, 68, 69, 72, 74), demonstrando que esses territórios são espaços produtivos de conhecimento e inovação, e não apenas receptores de políticas.
Recomendação 3: Fortalecer coalizões interterritoriais. A recorrência de projetos semelhantes entre Regiões Administrativas indica agendas compartilhadas que podem ser desenvolvidas de forma articulada. O catálogo identifica sete coalizões naturais: atenção primária, regularização, plataforma territorial, lazer e cultura, ambiental, cultura de paz e economia circular. Pactuar por coalizão em vez de negociar itens atomizados dá escala política às demandas.
Recomendação 4: Ampliar a inteligência territorial e o uso estratégico de dados. Diversas propostas (números 1, 4, 8, 45, 63, 67, 68, 69, 71, 73, 75) apontam para a necessidade de sistemas integrados de informação para subsidiar decisões, monitorar resultados e aprimorar o planejamento e a gestão pública.
Recomendação 5: Institucionalizar mecanismos permanentes de escuta e participação social. Oito projetos (números 1, 5, 7, 30, 32, 63, 64, 68), formulados por sete RAs com perfis socioeconômicos distintos, incorporaram mecanismos de escuta ou instâncias de controle social. Recomenda-se que o conhecimento produzido nos territórios seja incorporado de forma contínua aos processos de planejamento, implementação e avaliação das políticas públicas, mantendo as decisões conectadas às necessidades da população.
Lidos em conjunto, os setenta e seis projetos não são pedidos isolados, mas orientações estratégicas provenientes da experiência dos territórios e da inteligência coletiva mobilizada em processo participativo; representam a territorialização de uma agenda compartilhada, com projetos assinados por cidadãos representantes de seus territórios.