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O DF que a gente quer

Seção 6.3

Turismo, Hospitalidade e Gastronomia

19 min Páginas 259–272 do livro

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Seção Turismo, Hospitalidade e Gastronomia.

Brasília é patrimônio da humanidade, sede do governo federal e Cidade Criativa do Design, mas o turismo do Distrito Federal está concentrado no Plano Piloto e nos monumentos cívicos, com pouca diversificação para as regiões administrativas periféricas e para a RIDE. A Câmara Técnica de Turismo propõe o Programa Brasília Experiências Territoriais para estruturar rotas turísticas fora do Plano Piloto e ampliar em 30 por cento o fluxo turístico nas RAs e na área rural.

Panorama atual: o DF recebe 3,2 milhões de visitantes por ano, com gasto médio de mil e oitocentos reais por visitante. O objetivo estratégico do CODESE-DF é estruturar no mínimo dez rotas territoriais e aumentar em 30 por cento o fluxo turístico fora do Plano Piloto até 2028. Em 2024, o Plano Piloto concentrou setenta e oito por cento do fluxo turístico.

Disparidades territoriais: a concentração no Plano Piloto limita o desenvolvimento econômico das RAs periféricas. RAs como Planaltina, Sobradinho com o Parque Estadual dos Três Meninos, e Brazlândia, com produção de morango e turismo rural, têm vocações turísticas inexploradas. Dados de visitantes registrados por RA em 2024: Plano Piloto quatro vírgula trinta e cinco milhões; Lago Sul um vírgula vinte e quatro milhões; Paranoá zero vírgula sessenta e oito milhões; Taguatinga zero vírgula cinquenta e dois milhões; Ceilândia zero vírgula cento e doze milhões; Samambaia zero vírgula vinte e oito milhões; Recanto das Emas zero vírgula duzentos e dezenove milhões; Brasília zero vírgula cento e oitenta e três milhões; Fercal zero vírgula zero trinta e cinco milhões.

Conexão com a Agenda 2030: a Câmara Técnica alinha metas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, considerando o turismo vetor de desenvolvimento econômico, geração de empregos e valorização cultural. O desenvolvimento do turismo contribui para o ODS 1, erradicação da pobreza; a valorização da gastronomia local e circuitos de produção apoia o ODS 2, fome zero e agricultura sustentável; e a qualificação profissional e atração de eventos apoia o ODS 8, trabalho decente e crescimento econômico.

Metas e ações estratégicas: a Câmara propõe metas e ações para o Plano Estratégico "O DF Que a Gente Quer em 2040", com ações estruturantes de longo prazo e ações de curto prazo. O setor depende de políticas públicas e do suporte do governo para promoção do destino; a iniciativa privada é responsável pela oferta e pela geração de empregos e renda.

Perspectiva: resultados para a sociedade. Objetivo estratégico: gerar emprego, renda e qualificação em todas as regiões administrativas e na área rural. Ações estruturantes: ampliar escolarização, tecnologia e empreendedorismo; incluir jovens, adultos, pessoas idosas, pretas e pardas como agentes ativos da economia; estruturar o DF como rede de clusters produtivos e de conhecimento integrando vocações regionais, tecnologia e logística para gerar emprego e renda no DF e na RIDE; descentralizar o desenvolvimento, transformando o DF em corredores econômicos em vetores de produção, serviços e oportunidades nas regiões administrativas; fortalecer o ambiente de negócios; implantar processos digitais; e lançar crédito e incentivo para empresas. Ações de curto prazo: incluir pessoas idosas, pretas e pardas em programas de capacitação, mentoria, renda, empreendedorismo e inclusão digital; mapear vocações econômicas por região e estruturar os primeiros clusters; criar trilhas de escolarização, tecnologia e empreendedorismo inspiradas em ecossistemas de desenvolvimento; implantar pilotos de hubs regionais e corredores econômicos; simplificar abertura de empresas, licenças e políticas públicas.

Simplificar e digitalizar o ambiente de negócios para reduzir tempo, custo e burocracia; defender redução, simplificação e equalização tributária; ampliar crédito, empresas-âncora e economia circular para fortalecer cadeias produtivas locais; criar hubs logísticos e centros de distribuição nas entradas do DF e da RIDE, integrando rodovia, ferrovia e aeroporto; atrair empresas-âncora e ativar clusters. Meta: certificar 100 empreendimentos como DTI de Brasília e alcançar nível "Avançado" na certificação DTI. Prazo: 2030, aferição anual. Indicador: número de empresas certificadas e nível de certificação DTI de Brasília. Implantar o Programa Brasília DTI (Destino Turístico Inteligente): selo digitalização, acessibilidade, sustentabilidade, inovação e uso de dados; lançar edital de apoio à inovação e digitalização de PMEs do turismo; realizar diagnóstico de digitalização e definir critérios e selo de certificação.

Consolidar o DF como metrópole inteligente, inovadora, sustentável e criativa. Meta: realizar cinco campanhas promocionais por ano (nacional e internacional) e aumentar o fluxo turístico em 20% até 2030; aferição semestral. Indicadores: número de campanhas, alcance/engajamento, aumento no fluxo e no gasto médio. Desenvolver e executar o Plano Estratégico de Promoção e Marketing de Brasília; definir posicionamento e marca turística; estruturar calendário de campanhas e participação em feiras; mapear mercados emissores prioritários, com foco em MICE, turismo cívico, arquitetônico, gastronômico, religioso, ecoturismo, esportivo e de experiência.

Gerar emprego, renda e oportunidades em todas as regiões administrativas e na área rural. Meta: estruturar 15 parcerias e mobilizar cem milhões de reais em investimentos/apoios até 2030; aferição anual. Indicador: número de investimentos/parcerias privadas. Implementar parcerias público-privadas e mapear projetos com potencial de PPP; envolver hotelaria, restaurantes, operadoras, companhias aéreas e setor de infraestrutura em projetos estruturantes e de promoção do destino.

Reduzir desigualdades territoriais e sociais no DF e na RIDE. Meta: implementar pacote de incentivos com contrapartidas para beneficiar 300 empreendimentos/eventos até 2030; aferição semestral. Indicador: número de incentivos concedidos. Criar a Política Distrital de Incentivos Estratégicos para Turismo, Eventos e Gastronomia, contemplando ISS, crédito presumido, desoneração de taxas e contrapartidas de empregos, permanência e promoção das regiões administrativas; definir pacote de incentivos para captação e promoção de eventos e turismo pedagógico; realizar estudo técnico de redução de impactos econômicos e mensuração de retorno de ISS e crédito presumido.

Qualificar rotas e pontos turísticos e ampliar infraestrutura e serviços. Meta: qualificar 50 pontos/rotas prioritárias e aumentar em 20% o fluxo turístico nessas áreas até 2030; aferição anual. Indicador: número de pontos/rotas com infraestrutura financiada. Desenvolver Plano de Infraestrutura Turística e Gastronômica, incluindo sinalização, QR Codes, Wi-Fi, acessibilidade, segurança, mobilidade, pontos de apoio ao visitante, coworking turístico e integração entre aeroporto, hotéis, centros de eventos, regiões administrativas e atrativos. Selecionar 50 pontos prioritários, levantar custos e elaborar programa de equipamentos e implantação do Centro de Apoio ao Turismo Nômade. Articular com BRCVB, CODESE-DF, SETUR, trade turístico e parceiros.

Perspectiva Pessoas, Aprendizado e Inovação. Desenvolver competências em dados, inteligência artificial, inovação e gestão por resultados e serviços. Meta: qualificar cinco mil profissionais por ano e alcançar 80% de satisfação do turista com o atendimento até 2028; aferição anual. Indicadores: número de profissionais qualificados e índice de satisfação do turista (pesquisa do Observatório). Implementar o Programa Excelência Brasília: qualificação contínua em hospitalidade, idiomas, acessibilidade e gestão, com trilhas de aprendizagem e parcerias com Senac, Sebrae, universidades; lançar primeiros cursos e campanhas de hospitalidade.

Institucionalizar governança de longo prazo do Plano Diretor de Turismo do Distrito Federal. Ação: criar comitê gestor do PDT-DF envolvendo Diretor de Turismo do DF, SETUR-DF, CODESE-DF, BRCVB, trade, CEATUR, CONDEPRO, CDES, universidades, sociedade civil e Regiões Administrativas. Curtíssimo prazo: realizar diagnóstico do turismo, eventos e gastronomia. Definir eixos estratégicos, metas, cronograma e KPIs. Prazo: dezembro de 2026. Indicadores: Plano Diretor aprovado; percentuais de metas e projetos do PDT-DF executados; nível de adesão do trade e conselhos. Ação estruturante: mapear, estruturar, integrar e promover o Distrito Federal como Destino Turístico Inteligente, considerando áreas de vocação e potencial para turismo e gastronomia.

Fortalecer integração regional com a RIDE e estados limítrofes. Meta: alcançar nota 8 em governança integrada (em 10) e realizar 20 ações conjuntas por ano. Prazo: 2028, com aferição semestral. Indicadores: índice de governança, número de reuniões e ações conjuntas. Ações: instituir governança colaborativa contínua unindo Governo, trade, academia e entidades de fomento; elaborar e aprovar regimento interno; definir calendário de reuniões e pautas; realizar 20 reuniões/ações por ano; articular BRCVB para tomada de decisão conjunta e gestão de crises.

Institucionalizar plataforma de dados e observatório de Turismo, Eventos e Gastronomia. Ações: criar observatório definindo indicadores prioritários e fontes de dados; estruturar plataforma tecnológica centralizada com painéis de BI para compartilhamento e estudos preditivos integrando fontes do GDF, BRCVB, Fecomércio, Sebrae e academia. Produzir quatro relatórios de inteligência de mercado por ano. Prazo: 2027, com aferição trimestral. Indicadores: plataforma em operação; taxa de atualização dos dados; número de relatórios produzidos; nível de utilização pelo trade. Assinar termos de cooperação para disponibilização dos dados.

Orçamento e Finanças: garantir equilíbrio fiscal e controle da qualidade do gasto público. Meta: ter R$ 5 milhões para execução de projetos estratégicos no segundo ano de operação do Fitur; dobrar o valor captado no quarto ano. Prazos: 2028 e 2030, com aferição anual. Indicadores: valor captado; número de projetos financiados. Ações estruturantes: reestruturar o Fitur DF com modelo orientado por editais, chamamentos públicos e revisão da governança e critérios técnicos, alinhando resultados a apoio à promoção turística, eventos, conectividade, qualificação da infraestrutura e promoção da gastronomia e turismo rural.

Estimular monetização de ativos ambientais e economia circular. Meta: estruturar, qualificar e promover 50 empreendimentos/experiências e apoiar 200 iniciativas que favoreçam economia circular e a imagem de Brasília como capital sustentável. Prazo: dezembro de 2030, com aferição semestral. Indicadores: número de experiências/produtos de turismo sustentável, produção local, gastronomia circular, turismo rural e eventos responsáveis, receita gerada. Ações: desenvolver plano de turismo regenerativo e gastronomia sustentável; selecionar e incentivar iniciativas-piloto de turismo rural, enoturismo e gastronomia; integrar produtores, restaurantes e cooperativas; promover experiências do Cerrado, compras locais, resíduos zero e rotas sustentáveis.

Transversalidade e alianças estratégicas: as propostas alinham-se ao Mapa Estratégico do Plano O DF Que a Gente Quer 2026–2040 e exigem articulação entre Câmaras Técnicas do CODESE-DF para coordenação e visão sistêmica. Principais articulações:

Tabela — Câmara Técnica: finalidades e principais agendas. Área: Brasília Cultura e Economia Criativa. Finalidade: integrar patrimônio, programação cultural, eventos, gastronomia, economia criativa e experiências identitárias; agendas: Brasília Nômade, turismo cívico e cultural, centros históricos e equipamentos culturais. Área: Comércio e Serviços. Finalidade: qualificar o trade e conectar hotelaria, gastronomia, operadores e prestadores de serviço; agendas: hospitalidade, atendimento, vendas, gastronomia, Convention Bureau 4.0 e comercialização de experiências. Área: Tecnologia. Finalidade: desenvolver plataformas, agenda digital, dados, conectividade e instrumentos tecnológicos; agendas: Convention Bureau 4.0; agenda digital unificada; campanhas; Brasília Nômade; indicadores; plataformas e conectividade. Área: Inovação. Finalidade: criar e testar novos produtos, modelos de operação e soluções para a experiência turística; agendas: Brasília Nômade; coworking turístico; novos produtos, plataformas, eventos e promoção inovadora. Área: Eixo Brasília-Goiânia e RIDE. Finalidade: integrar rotas, experiências e governança turística entre o DF e municípios do entorno; agendas: rotas territoriais, turismo rural, experiências regionais, Destino Integrado e carteira de projetos.

Turismo, Hospitalidade e Gastronomia.

Promover turismo regenerativo e gastronomia circular: práticas sustentáveis em produtos, eventos, destinos e cadeias; compras locais; resíduos zero; turismo de natureza e bem-estar.

Articular produção rural, cooperativas e vocações territoriais com rotas e experiências turísticas: turismo rural, enoturismo, rotas gastronômicas, restaurantes e cooperativas.

Formação e capacitação: Academia Brasília Hospitalidade e Turismo; formar lideranças e profissionais em gestão de destinos, vendas, atendimento e turismo pedagógico para qualificar serviços e atendimento.

Desenvolver eventos e experiências de esporte, atividade física, lazer e natureza: turismo esportivo, caminhadas, parques, eventos, lazer urbano e a Rota Brasília Bem-Estar.

Qualificar espaços urbanos, centros históricos e infraestrutura turística para apoiar experiências: turismo cívico e arquitetônico, praças, parques e centros históricos; Brasília Nômade.

Ampliar acesso e circulação entre atrativos, eventos e equipamentos; rotas turísticas e circulação regional.

Integrar segurança e percepção de segurança à hospitalidade e às experiências urbanas; foco em destino hospitaleiro, centros históricos, praças, parques e experiências noturnas.

Incorporar acolhimento, bem-estar e satisfação do visitante; Rota Brasília Bem-Estar; monitorar NPS do destino.

Integrar alimentação saudável, natureza e atividade física às experiências turísticas: gastronomia saudável, turismo de bem-estar e caminhadas.

Promover identidade, pertencimento e participação territorial no desenho de experiências e rotas; gastronomia identitária e governança local nas Regiões Administrativas.

Considerações para implementação.

As alianças poderão ter arranjos variados por agenda; não há único arranjo permanente. Carteira de projetos, Fundo Distrital, FITUR-DF e Escritório de Captação devem articular captação e financiamento para eventos, promoção, conectividade, infraestrutura, gastronomia e turismo rural.

Promoção de eventos e Convention Bureau 4.0 exigem articulação com Tecnologia, Comércio e Serviços, Cultura, Economia Criativa e RIDE. Turismo regenerativo e gastronomia circular exigem cooperação com Sustentabilidade, Agricultura e Comércio e Serviços. Formação do trade depende de Educação. Rotas e experiências demandam integração com Mobilidade, Segurança, Habitação e Urbanismo e com as câmaras setoriais.

A Câmara de Turismo, Hospitalidade e Gastronomia mantém a responsabilidade pelas ações, mas a implementação depende de arranjos de cooperação estruturados por projeto, produto, território e resultado esperado.

Índice completo

Abertura Carta do Presidente

Carta do Presidente

Parte I Contexto e Direcionamento Estratégico

1. Contexto e Direcionamento Estratégico

Parte II Estratégia para o plano

2. Estratégia para o plano “O DF que a gente quer em 2040”

Parte III Cidadania, economia, RIDE, cultura, urbano e tecnologia

3. Cidadania e Desenvolvimento Social

4. Desenvolvimento Econômico

5. Eixo Brasília-Goiânia e RIDE

6. Economia Criativa, Esporte, Turismo e Cultura

7. Desenvolvimento Urbano

8. Tecnologia e Inovação

Parte IV Hackatown das Regiões Administrativas

9. Hackatown das Regiões Administrativas

Parte V Legitimação Popular das Propostas

10. Legitimação Popular das Propostas